sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Histórias do Lobo: só Getúlio não gostava de ‘Retrato do velho’

Nas eleições de 3 de outubro de 1950, quando Getúlio Vargas voltou à presidência da República por via democrática (após 15 anos como ditador, de 1930 a 45), a trilha-sonora da vitória foi uma marchinha de carnaval. “Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar”, cantava o povo, repercutindo a composição de Haroldo Lobo e Marino Pinto lançada por Francisco Alves – após gravação realizada em 16 de outubro de 1950, na Odeon.  O sucesso foi tanto que estendeu as comemorações pela eleição de Getúlio Vargas até o carnaval de 1951.
 
O refrão que embalou a vitória do “pai dos pobres” sobre Eduardo Gomes e Cristiano Machado fazia referência ao retrato oficial de Getúlio que, obrigatório nas repartições durante o Estado Novo, tinha sido arrancado das paredes com a deposição do presidente, em 29 de outubro de 1945. O povo entendeu na hora, se animou e passou a brincar a folia ao som da marchinha. Mesmo assim, o homenageado não gostava da música, por motivo de vaidade: aos 62 anos, Getúlio não se achava velho.

Retrato do velho não foi a primeira marchinha política, mas é a mais lembrada, especialmente como precursora de jingles poderosos, como os das campanhas presidenciais de Jânio Quadros em 1960 (Varre, varre, vassourinha) e Ulysses Guimarães em 1989 (Bote fé no velhinho).
 
Retrato do velho
Marino Pinto e Haroldo Lobo

Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar (2x)


O sorriso do velhinho
Faz a gente trabalhar (2x)


Eu já botei o meu
E tu... não vais botar?
Já enfeitei o meu
E tu... vais enfeitar?


O sorriso do velhinho
Faz a gente se animar (2x)


Clique aqui para ouvir Retrato do velho na gravação original, de Francisco Alves – que na foto desse post segura o 'retrato do velho' com Haroldo Lobo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário